Odeio gente que tenta ser poeta.
Escrever é como cagar, comer, mijar.
Você simplesmente PRECISA vomitar isso tudo.
E geralmente a gente não gosta do vômito.
Mas quem quer ser poeta não…
Eles amam seu vômito de plástico.
São os maiores fãs de seus próprios versos terríveis.
De sua vontade louca de ser reconhecidos.
Detesto demais.
Porque ficar sem cagar acaba causando dor
e você PRECISA fazer suas merdas.
Mas essas pessoas não fazem idéia…
Porque cagam em bolinhas,
em seus banheiros desinfetados por empregadas.
Em gestos de rebeldia pra chamar a atenção
de suas famílias medíocres.
Bolinhas de cocô nobre de bezerros classe média-alta
que se trancam em seus quartos batendo a porta com raiva
e não imaginam de onde vem a comida que faz a bosta,
suas roupas rebeldes e quem paga essa rebeldia.
Odeio essa gente que fala pra mim “eu também sou poeta”
e querem que eu leia coisas
na maioria das vezes
quando o que eu mais quero é pirar
e esquecer um pouco de mim.
E não que eu não goste de ler ou coisa do tipo,
mas essas pessoas, sedentas por um “está ótimo”,
sempre escolhem os piores momentos.
Sempre.
Essas pessoas não esquecem de si mesmas um segundo sequer.
Elas se amam.
E elas QUEREM ser lembradas.
E, na maioria das vezes,
querem que EU me lembre delas.
E eu bebo demais… quase nunca lembro.
Só sinto um pouco de pena de suas vidas.
Olha só… não sou poeta.
Sou o pior tipo de suicida.
O fracassado.
O que escreve mensagens e músicas de despedida
mas simplesmente não consegue lidar com seu outro lado,
que quer desesperadamente viver.
Sou o morto-vivo.
Que respira em 45 minutos ou 1 hora e pouco de palco
e depois sente a felicidade ir embora
sentindo o suór esfriar
e contemplando um copo de cerveja.
Se essas pessoas que querem ser poetas
sentissem um décimo dessa dor,
abraçariam seus pais,
tocariam os negócios da família
ou enquadrariam um belo diploma
de administração de empresas.
Por isso o que mais odeio nos que querem ser poetas
é quando dizem que me entendem…
E quando tentam dissecar meu vômito frase a frase.
Quero que tomem no meio de seus cus.
Nem eu mesmo me entendo.
E, na maioria das vezes, NÃO QUERO me entender.
Só quero colocar a dor pra fora
como uma necessidade viciada
de escrever, cantar ou fazer uma música
e sentir um pouco de paz.
Até o vazio cutucar outra vez
e eu ter vontade de matar alguém.
Principalmente um poeta.
Nenê Altro
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
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Por que você faz assim comigo?
Por que você faz assim comigo? Parece querer me machucar. Por que você olha assim pra mim? Não vê qu'eu preciso descansar? Até há pou...
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a espera pela e o porque de logo não tão logo me leva a pensar o tempo todo a sorte e aconchego de quando chegar a casa
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